Meta 4: plano de ação
Na
semana entre 08/05 à 12/05 foi aplicado com as turmas de sextos anos nas quais
eu trabalho o Projeto de Ensino.
Então comecei desde o princípio.
Expus no quadro todos os livros de literatura infantil que possuo. A qualidade
do autor e da obra foram importantíssimos para a escolha. Também tente mesclar
bastante entre imagens e textos para que houvesse também esforço mental na
compreensão deste processo.
No
segundo momento, pedi que cada aluno fosse escolher o livro que gostaria.
Deixei eles livres para a escolha. Só disse que eram pra eles imaginar que
estivessem em uma livraria ou biblioteca. Depois da escolha, perguntei para
alguns o que levou a fazer tal escolha e muitos disseram que foi a quantidade
de páginas e coisas pra ler.
Para
que eles “entrassem” na escola exigi silêncio absoluto e ainda que pelos menos
fosse feita uma leitura de três vezes. Gostei que apesar da maioria reclamar,
em todas as turmas a foi muito bom este momento porque eles ficaram muito
tranquilos e envolvidos.
Depois da leitura, veio o que
considero a parte chata que foi a análise do livro desde a identificação de
informações básicas como localização do nome do livro, autor, editora, capa,
contracapa, etc. Como também da história propriamente dita como identificação
de personagens, enredo, lugar, etc. Para finalizar com opinião sobre a obra.
No entanto, o que foi de mais
“surpreendente”, foi propor a etapa de leitura oral da história para os
colegas. E muitos mesmo se manifestando contra, gostaram da ideia de ler em voz
alta para o restante da turma. Eles poderiam optar por fazer uma leitura clara
e objetiva ou contar a história com suas próprias palavras.
O processo de leitura para os
colegas continuou na outra semana. Depois disso foi feito com eles uma espécie
de feedback com registro escrito para que eles tivessem uma posição crítica de
tudo que aconteceu, dos aspectos positivos e/ou negativos. Enfim, saber deles
principalmente se poderia continuar com leituras em aula, mas agora com bem
mais textos.
Meta 5: relatório final:
Tendo em vista toda a minha
caminhada desse processo que intitulei como Projeto de Ensino, hoje percebo que
me aproximei em muito de alguns aspectos de um Projeto de Aprendizagem.
Sei que poderia ter iniciado esse
projeto fazendo levantamento de possibilidades de leituras na vida dos meus
alunos. Poderia inclusive ter explorado o que eles entendem por ler, se a
leitura de fato só ocorre com livros, se há diferenças entre os livros
didáticos e os de literários, leitura de gibis, de receitas, enfim, de vários
materiais que eles têm acesso diariamente, inclusive de leitura de redes
sociais. Depois desse levantamento e questioná-los sobre essas possibilidades,
ai sim apresentá-los ao universo da literatura infantil.
Na ânsia de querer apresentar algo
diferentes aos meus alunos, fiquei “presa” ao que eu poderia de fato
desenvolver pela questão do tempo, mas principalmente por acreditar que não
poderia desenvolver algo “grandioso” que é um PA. Por todas as questões que
envolvem um início de ano letivo, mas por se tratar das séries finais e por ter
várias turmas ao mesmo tempo.
Na verdade, quando conheci no
semestre anterior essa proposta de ensino, acredito que ela faça muito mais
sentido para os alunos porque a vontade pela busca pelo conhecimento deva
partir deles. Mas com tantas limitações tão pertinentes à realidade de uma
escola pública, fica muito mais difícil desenvolver esse tipo de projeto. Precisaríamos
pelo menos de laboratórios de informática com internet para que eles pudessem
pesquisar, professores das séries finais envolvidos porque um PA envolve outras
áreas do conhecimento, turmas um pouco menos cheias e com menos problemas para serem
resolvidos (ou talvez um PA seja um jeito de resolver a falta de vontade dos
alunos em aprender), enfim, eu acredito nessa proposta e acredito de uma
maneira muito “mini” muitos professores o apliquem no seu dia a dia, porém
estamos muito aquém do que é possível e do que se almeja.
Do meu projeto, eu só tenho a
agradecer os meus queridos alunos dos 6º anos (são no total 150) porque eles
foram muito queridos e participativos. Eles aceitaram bem tudo o que propus. Meus
medos e anseios principais foram: eles acharão muito infantil ou não ficarem em
silêncio respeitando o tempo de cada um. Ou ainda se negando a realizar a
atividade. Para a minha feliz surpresa, foi tudo tão tranquilo e tão
gratificante porque em nenhuma das cinco turmas houve a justificativa dos meus
medos. Eles se envolverão de tal forma que em todas as etapas propostas foram facilmente
realizadas. Desde a leitura silenciosa (disse que deveriam ser feitas pelo
menos três vezes), passando pelo registro escrito das informações de
compreensão e interpretação da história até chegar ao ápice que seria a
apresentação dos colegas.
É óbvio
que nem tudo foram “flores”. Interferências constantes de pedido de silêncio
enquanto algum colega se apresentava, pausas para fazer algum comentário, etc.
Mas ninguém rio ou debochou de algum colega. Eles sim, fizeram algumas
críticas, principalmente por algum colega ter feito uma leitura muito baixa no
momento da apresentação ou pela história ser um pouco longa.
Mais
interessante ainda quando havia uma boa “contação” da história. Eles ficavam
vidrados e interagiam na história. Houve, com certeza um grande aproveitamento
e pretendo continuar nessa caminhada.
Alessandra
ResponderExcluirBem interessante a trajetória do teu projeto e o feedback sobre o projeto, seria interessante caso queira, postar um exemplo do posicionamento crítico dos alunos que relatas no teu plano.
Uma evidência bem importante dos alunos, colocando seus posicionamentos.
Att tutora Luciane Machado
Alessandra, parabéns pela postagem descritiva, analítica e reflexiva. realmente o PA ainda é um desafio nas escolas, mas vejo que se faz cada vez mais presente e com resultados muito satisfatórios para aqueles que o assumem como prática pedagógica de aprendizagem colaborativa.
ResponderExcluirNo PA é preciso que o docente assuma que não tem o controle sobre o processo, pois ele se dá em rede com os alunos/as, famílias e outros professores e/ou colaboradores externos.
Também é preciso assumir o desafio de aprender pela pesquisa, ou seja, aprender e buscar conhecimentos novos a partir de inquietações, desassossegos e curiosidades.
O projeto que foi levado a cabo com suas turmas, de certo modo, contou com espaços de liberdade e autonomia, onde os desejos tinham vez. A escolha do livro, a opção de apresentar a história etc. Esses momentos de interação e escolha por parte dos/as alunos/as fez com que se sentissem motivados a participar.
É fascinante ler em teu relato o quão envolvidos ficaram e as habilidades cognitivas que foram desenvolvidas: atenção, práticas de leitura, análise, interpretação, síntese e elaboração de novos textos.
Parabéns!