sábado, 17 de junho de 2017

Projeto de Estudos: literatura infantil

Meta 4: plano de ação
Na semana entre 08/05 à 12/05 foi aplicado com as turmas de sextos anos nas quais eu trabalho o Projeto de Ensino.
            Então comecei desde o princípio. Expus no quadro todos os livros de literatura infantil que possuo. A qualidade do autor e da obra foram importantíssimos para a escolha. Também tente mesclar bastante entre imagens e textos para que houvesse também esforço mental na compreensão deste processo.
No segundo momento, pedi que cada aluno fosse escolher o livro que gostaria. Deixei eles livres para a escolha. Só disse que eram pra eles imaginar que estivessem em uma livraria ou biblioteca. Depois da escolha, perguntei para alguns o que levou a fazer tal escolha e muitos disseram que foi a quantidade de páginas e coisas pra ler.
Para que eles “entrassem” na escola exigi silêncio absoluto e ainda que pelos menos fosse feita uma leitura de três vezes. Gostei que apesar da maioria reclamar, em todas as turmas a foi muito bom este momento porque eles ficaram muito tranquilos e envolvidos.
            Depois da leitura, veio o que considero a parte chata que foi a análise do livro desde a identificação de informações básicas como localização do nome do livro, autor, editora, capa, contracapa, etc. Como também da história propriamente dita como identificação de personagens, enredo, lugar, etc. Para finalizar com opinião sobre a obra.
            No entanto, o que foi de mais “surpreendente”, foi propor a etapa de leitura oral da história para os colegas. E muitos mesmo se manifestando contra, gostaram da ideia de ler em voz alta para o restante da turma. Eles poderiam optar por fazer uma leitura clara e objetiva ou contar a história com suas próprias palavras.
            O processo de leitura para os colegas continuou na outra semana. Depois disso foi feito com eles uma espécie de feedback com registro escrito para que eles tivessem uma posição crítica de tudo que aconteceu, dos aspectos positivos e/ou negativos. Enfim, saber deles principalmente se poderia continuar com leituras em aula, mas agora com bem mais textos.
           
Meta 5: relatório final:
             Tendo em vista toda a minha caminhada desse processo que intitulei como Projeto de Ensino, hoje percebo que me aproximei em muito de alguns aspectos de um Projeto de Aprendizagem.
              Sei que poderia ter iniciado esse projeto fazendo levantamento de possibilidades de leituras na vida dos meus alunos. Poderia inclusive ter explorado o que eles entendem por ler, se a leitura de fato só ocorre com livros, se há diferenças entre os livros didáticos e os de literários, leitura de gibis, de receitas, enfim, de vários materiais que eles têm acesso diariamente, inclusive de leitura de redes sociais. Depois desse levantamento e questioná-los sobre essas possibilidades, ai sim apresentá-los ao universo da literatura infantil.
             Na ânsia de querer apresentar algo diferentes aos meus alunos, fiquei “presa” ao que eu poderia de fato desenvolver pela questão do tempo, mas principalmente por acreditar que não poderia desenvolver algo “grandioso” que é um PA. Por todas as questões que envolvem um início de ano letivo, mas por se tratar das séries finais e por ter várias turmas ao mesmo tempo.
          Na verdade, quando conheci no semestre anterior essa proposta de ensino, acredito que ela faça muito mais sentido para os alunos porque a vontade pela busca pelo conhecimento deva partir deles. Mas com tantas limitações tão pertinentes à realidade de uma escola pública, fica muito mais difícil desenvolver esse tipo de projeto. Precisaríamos pelo menos de laboratórios de informática com internet para que eles pudessem pesquisar, professores das séries finais envolvidos porque um PA envolve outras áreas do conhecimento, turmas um pouco menos cheias e com menos problemas para serem resolvidos (ou talvez um PA seja um jeito de resolver a falta de vontade dos alunos em aprender), enfim, eu acredito nessa proposta e acredito de uma maneira muito “mini” muitos professores o apliquem no seu dia a dia, porém estamos muito aquém do que é possível e do que se almeja.
           Do meu projeto, eu só tenho a agradecer os meus queridos alunos dos 6º anos (são no total 150) porque eles foram muito queridos e participativos. Eles aceitaram bem tudo o que propus. Meus medos e anseios principais foram: eles acharão muito infantil ou não ficarem em silêncio respeitando o tempo de cada um. Ou ainda se negando a realizar a atividade. Para a minha feliz surpresa, foi tudo tão tranquilo e tão gratificante porque em nenhuma das cinco turmas houve a justificativa dos meus medos. Eles se envolverão de tal forma que em todas as etapas propostas foram facilmente realizadas. Desde a leitura silenciosa (disse que deveriam ser feitas pelo menos três vezes), passando pelo registro escrito das informações de compreensão e interpretação da história até chegar ao ápice que seria a apresentação dos colegas.
É óbvio que nem tudo foram “flores”. Interferências constantes de pedido de silêncio enquanto algum colega se apresentava, pausas para fazer algum comentário, etc. Mas ninguém rio ou debochou de algum colega. Eles sim, fizeram algumas críticas, principalmente por algum colega ter feito uma leitura muito baixa no momento da apresentação ou pela história ser um pouco longa.
Mais interessante ainda quando havia uma boa “contação” da história. Eles ficavam vidrados e interagiam na história. Houve, com certeza um grande aproveitamento e pretendo continuar nessa caminhada.

2 comentários:

  1. Alessandra
    Bem interessante a trajetória do teu projeto e o feedback sobre o projeto, seria interessante caso queira, postar um exemplo do posicionamento crítico dos alunos que relatas no teu plano.
    Uma evidência bem importante dos alunos, colocando seus posicionamentos.
    Att tutora Luciane Machado

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  2. Alessandra, parabéns pela postagem descritiva, analítica e reflexiva. realmente o PA ainda é um desafio nas escolas, mas vejo que se faz cada vez mais presente e com resultados muito satisfatórios para aqueles que o assumem como prática pedagógica de aprendizagem colaborativa.
    No PA é preciso que o docente assuma que não tem o controle sobre o processo, pois ele se dá em rede com os alunos/as, famílias e outros professores e/ou colaboradores externos.
    Também é preciso assumir o desafio de aprender pela pesquisa, ou seja, aprender e buscar conhecimentos novos a partir de inquietações, desassossegos e curiosidades.
    O projeto que foi levado a cabo com suas turmas, de certo modo, contou com espaços de liberdade e autonomia, onde os desejos tinham vez. A escolha do livro, a opção de apresentar a história etc. Esses momentos de interação e escolha por parte dos/as alunos/as fez com que se sentissem motivados a participar.
    É fascinante ler em teu relato o quão envolvidos ficaram e as habilidades cognitivas que foram desenvolvidas: atenção, práticas de leitura, análise, interpretação, síntese e elaboração de novos textos.
    Parabéns!

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