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2: A literatura como instrumento básico para formação de bons leitores
“... ler é sempre ganhar a palavra. A boa literatura abre as
portas, deixando lugar para os leitores expressarem suas emoções diante do
mundo.
O leitor dialoga com o texto. A literatura permite,
generosamente, que as nossas dúvidas e conhecimentos venham entremear o texto.
“Diante da literatura, todo leitor é também um escritor.”
Bartolomeu Campos de Queirós
Leitura:
esse é um desafio das escolas e principalmente de todos os professores que dela
fazem parte. Mas não apenas o ensinar a ler e sim formar cidadãos leitores,
daqueles que pensam sobre o que leem, que são críticos, mas fundamentalmente,
que acreditam no prazer que ela proporciona. O grande questionamento ao me
tornar professora de português era: como fazer os alunos gostarem de ler? No
entanto não bastava apenas procurar respostas na pergunta e sim tentar entender
o porquê isso acontece, afinal, a escola ensina a ler e a escrever e mesmo
assim muitos saem do ensino fundamental dizendo não gostarem de ler. Tentando
achar um caminho para que essa prática de leitura prazerosa também ocorra na
escola, fiz um artigo no Curso de Especialização em Literatura Brasileira, que
retratava sobre esse assunto: trazer a literatura infantil ou juvenil para
dentro da sala de aula como prática de aprendizagem de língua portuguesa. E
como acredito muito nessa prática resolvi me aventurar mais uma vez.
Foi
pensando nisso e por sempre apostar que literatura é “o caminho”, nesse ano
iniciei o processo um pouco mais cedo, trazendo para eles a literatura
infantil. Por se tratar de textos curtos e com muitas imagens, eles gostariam
de embarcar “nessa viagem”.
Meus
alunos desse ano (cinco turmas de 6ºanos) carecem dessa prática tão fundamental
para qualquer aprendizagem. Eles possuem uma defasagem nas habilidades de
leitura que faz eu questionar a todo tempo: em momento esse encanto se perdeu?
Porque com certeza quando eles iniciam no processo de alfabetização, há um
encantamento que faz com que eles amem ler. No entanto quando chegam às séries
finais, isso se perdeu quase que totalmente.
Meus
medos e anseios principais foram: eles acharão muito infantil ou não ficarem em
silêncio respeitando o tempo de cada um. Ou ainda se negando a realizar a
atividade. Para a minha feliz surpresa, foi tudo tão tranquilo e tão
gratificante porque em nenhuma das cinco turmas houve a justificativa dos meus
medos. Eles se envolverão de tal forma que em todas as etapas propostas foram facilmente
realizadas. Desde a leitura silenciosa (disse que deveriam ser feitas pelo
menos três vezes), passando pelo registro escrito das informações de
compreensão e interpretação da história até chegar ao ápice que seria a
apresentação dos colegas.
É óbvio
que nem tudo foram “flores”. Interferências constantes de pedido de silêncio
enquanto algum colega se apresentava, pausas para fazer algum comentário, etc.
Mas ninguém rio ou debochou de algum colega. Eles sim, fizeram algumas
críticas, principalmente por algum colega ter feito uma leitura muito baixa no
momento da apresentação ou pela história ser um pouco longa.
Mais
interessante ainda quando havia uma boa “contação” da história. Eles ficavam
vidrados e interagiam na história. Houve, com certeza um grande aproveitamento
e pretendo continuar nessa caminhada.
Alessandra
Maria Boa Nova
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