terça-feira, 6 de junho de 2017

Meta 2: A literatura como instrumento básico para formação de bons leitores

Meta 2: A literatura como instrumento básico para formação de bons leitores

            “... ler é sempre ganhar a palavra. A boa literatura abre as portas, deixando lugar para os leitores expressarem suas emoções diante do mundo.
            O leitor dialoga com o texto. A literatura permite, generosamente, que as nossas dúvidas e conhecimentos venham entremear o texto. “Diante da literatura, todo leitor é também um escritor.”
Bartolomeu Campos de Queirós

Leitura: esse é um desafio das escolas e principalmente de todos os professores que dela fazem parte. Mas não apenas o ensinar a ler e sim formar cidadãos leitores, daqueles que pensam sobre o que leem, que são críticos, mas fundamentalmente, que acreditam no prazer que ela proporciona. O grande questionamento ao me tornar professora de português era: como fazer os alunos gostarem de ler? No entanto não bastava apenas procurar respostas na pergunta e sim tentar entender o porquê isso acontece, afinal, a escola ensina a ler e a escrever e mesmo assim muitos saem do ensino fundamental dizendo não gostarem de ler. Tentando achar um caminho para que essa prática de leitura prazerosa também ocorra na escola, fiz um artigo no Curso de Especialização em Literatura Brasileira, que retratava sobre esse assunto: trazer a literatura infantil ou juvenil para dentro da sala de aula como prática de aprendizagem de língua portuguesa. E como acredito muito nessa prática resolvi me aventurar mais uma vez.
Foi pensando nisso e por sempre apostar que literatura é “o caminho”, nesse ano iniciei o processo um pouco mais cedo, trazendo para eles a literatura infantil. Por se tratar de textos curtos e com muitas imagens, eles gostariam de embarcar “nessa viagem”.
Meus alunos desse ano (cinco turmas de 6ºanos) carecem dessa prática tão fundamental para qualquer aprendizagem. Eles possuem uma defasagem nas habilidades de leitura que faz eu questionar a todo tempo: em momento esse encanto se perdeu? Porque com certeza quando eles iniciam no processo de alfabetização, há um encantamento que faz com que eles amem ler. No entanto quando chegam às séries finais, isso se perdeu quase que totalmente.
Meus medos e anseios principais foram: eles acharão muito infantil ou não ficarem em silêncio respeitando o tempo de cada um. Ou ainda se negando a realizar a atividade. Para a minha feliz surpresa, foi tudo tão tranquilo e tão gratificante porque em nenhuma das cinco turmas houve a justificativa dos meus medos. Eles se envolverão de tal forma que em todas as etapas propostas foram facilmente realizadas. Desde a leitura silenciosa (disse que deveriam ser feitas pelo menos três vezes), passando pelo registro escrito das informações de compreensão e interpretação da história até chegar ao ápice que seria a apresentação dos colegas.
É óbvio que nem tudo foram “flores”. Interferências constantes de pedido de silêncio enquanto algum colega se apresentava, pausas para fazer algum comentário, etc. Mas ninguém rio ou debochou de algum colega. Eles sim, fizeram algumas críticas, principalmente por algum colega ter feito uma leitura muito baixa no momento da apresentação ou pela história ser um pouco longa.
Mais interessante ainda quando havia uma boa “contação” da história. Eles ficavam vidrados e interagiam na história. Houve, com certeza um grande aproveitamento e pretendo continuar nessa caminhada.

Alessandra Maria Boa Nova

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